Entenda os indícios de fraude na Unimed-Rio

Vai ser um texto breve e em tópicos porque eu tô sem saco pra escrever.

1.            A Unimed é uma cooperativa. Logo, precisa ter orçamentos previstos e aprovados em assembleia geral anualmente. Nenhum centavo pode ser gasto sem essa prévia, como em qualquer cooperativa ou associação.

2             Anualmente é aumentado o valor dos planos de saúde oferecidos pela cooperativa. Muitas vezes acima da inflação e de todos os índices de reajustes.

3.            Entretanto, os médicos conveniados e/ou associados recebem uma merrequinha incrivelmente bizarra. Fonte? Pergunte ao seu médico.

4.            A Unimed-Rio foi condenada, em 2010, ao pagamento de R$387 milhões a título de ISS (imposto sobre serviços prestados), além disso, a Unimed-Brasil também foi multada em 65 milhões de reais pelo CADE por tentar proibir os médicos de trabalharem em outros lugares. Ainda não pagou, óbvio. O dinheiro do ISS é devido à Prefeitura do Rio. Ou seja, é devido à Saúde do Rio, é devido à construção de casas populares, programas sociais, etc.

5.            O patrocínio fixo que se dá ao Fluminense é aprovado anualmente no conselho e assembleia da cooperativa. A pergunta é: devendo tanto como deve a Unimed-Rio, como o presidente Celso Barros gasta tanto em contratações pro Fluminense e em pagamentos de salário pra jogadores? E, talvez pior, sem nenhum tipo de discussão em assembleia! Ele o faz por conta própria, só com a ajuda de um ou outro diretor.

6.            Ou a prefeitura do Rio pede, na Justiça, o bloqueio dos bens da Unimed pra que se pague os 387 milhões, ou o Celso Barros vai continuar passando a perna em médicos, usuários, sócios, associados e em todos os cariocas.

 

Fontes: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/15/unimed-condenada
http://cidadaofluminense.blogspot.com/2010/09/pagina-55-cinquenta-e-cinco-ultimo.html

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Resposta de um católico não-fundamentalista à emenda da Myrian Rios.

0. A questão é: A JMJ vai custar um pouco mais de 50mi de euros, o que dá uns 120 milhoes de reais.

1. A emenda da Myrian Rios é de 5 milhões de reais. O que é uma gota no oceano, uma mixaria diante do orçamento do evento. Isso pra mim deixa claro que é uma manobra eleitoreira da Myrian pra ficar com mais moral na RCC/Cancão Nova, que é aonde ela tem os votos.

2. Sempre houve aproximação entre Estado e religião. O que sempre deu em catástrofe. Vide idade média, século 18 e, hoje, com as bancadas evangélicas obstruindo debates importantes pro país e, mundialmente, a Igreja católica impedindo debates históricos, se escondendo atrás da tal “sacralidade” e de um moralismo absolutamente questionável.

3. Com ou sem essa esmola da Alerj, a JMJ vai acontecer no Brasil. Então não tem justificativa técnica-científica pra injetar dinheiro no evento. É dinheiro na lata do lixo.

4. De ajuda do Estado, já chega a isenção fiscal que as igrejas cristãs tem, o que faz que não paguem nenhum centavo de imposto. O que, por si só, já é um acontecimento ridículo.

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Aos indiferentes.

Prometi ficar longe dos assuntos polêmicos. No entanto, calar-me diante do que tenho visto é contra testemunhar tudo que estudo, acredito e penso. Vocês estão assistindo aí a luta dos heróis-bombeiros, tratados à base da chibata pelo nosso ilustre governador. Estão vendo a educação do RJ ser a 2ª pior do país, o corte na educação feito pela Dilma, os leilões do pré-sal, a “demonização” do kit anti-homofobia, a bizarrice da reforma do Código Florestal e mais uma penca de pecados contra o povo brasileiro.

Olhando pra isso tudo, a CNBB e um representante das igrejas protestantes foram ao STF, com faca nos dentes para tentar impedir a equiparação da união estável homo e hétero. Não conseguiram e passaram vergonha nas sustentações.

A Câmara municipal de Niterói emitiu uma moção de repúdio ao Frei Betto por um artigo publicado em um jornal. Sabem o motivo? O Frei, segundo a câmara, feriu as leis bíblicas ao defender direitos civis plenos aos homo-afetivos e questionar o caráter pecaminoso da homossexualidade.

A “Bancada Evangélica” do Congresso (da qual o Garotinho é vice-presidente) lutou com unhas e dentes pra vetar o kit anti-homofobia, que já havia sido aprovado nas duas casas, na ONU, UNESCO, UNICEF, MEC e tinha aval positivo de todos os psicólogos que foram consultados.

Para que esse tal kit fosse vetado pela presidenta, essa bancada ‘ameaçou’ convocar Palocci para depor no congresso. Em suma: a bancada disse: “Tia Dilma, veta o kit que ignoramos as corrupções do governo, tá?”

Preocupa-me, e muito, ver a ‘bancada evangélica’ oferecer poupar o Palocci em troca do veto da presidenta ao kit anti-homofobia. Com anuência da CNBB. Quero dizer: em que lógica cristã maluca, troca-se corrupção por veto a um projeto que tem aval dos órgãos oficiais e que foi aprovado nas duas casas do Congresso? Quero dizer, nessa nova ordem cristã funciona assim: corrupção até dá pra aceitar, mas educar contra discriminação é imoral. Então é isso?

Que ordem cristã esquisita é essa que demoniza ao extremo uma lei de inclusão e fica quieta quando o assunto é defender os bombeiros das pancadas e dos fuzis? Cadê essa bancada e onde está a CNBB pra dizer que impor miséria aos bombeiros é imoral? Corrupção é menos imoral que o kit anti-homofobia?

Minha pseudo-rebelião aqui não é contra o cristianismo, nem contra a Igreja- da qual faço parte, mas contra a postura política dos poderosos dessa bancada ridícula no congresso e contra a incoerência da CNBB.

Esses dois grupos têm dito pra gente: “Corte na educação, amém. Salário miserável, amém. Porrada em professores, bombeiros e civis, amém. Política de erradicação da homofobia: SAI, CAPETA!”

Abç,

LucasM.
(Revisão: Camilla Cunha)

Bombeiros encurralados pela PM.
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Gratidão. Que bom eu ter passado por tudo isso! (LucasM.)

Texto da linda Millú:

Prometi escrever um texto, mas na verdade vou contar uma história. E esta que você vai ler é reflexo de algum medo, muita luta, preocupação e esperança também. Algumas noites sem dormir, lágrimas e no final, verá que é também uma história repleta de sorrisos. Não é querendo “fazer graça” que escrevo, mas é que existe um lado fantástico nela! Chamo esse lado de milagre, mas pessoas que não acreditam nele também vão ler, então decidi deixar a palavra “fantástico”, mesmo.

Não vou julgar se algumas partes são verdadeiras ou não. Prefiro dizer que, mesmo se algumas coisas não puderam ser cientificamente provadas, são verdadeiras. Porque elas são sim, espiritualmente verdadeiras! E Preciso afirmar honestamente que fazer parte desta história me afetou de modo profundo, desvendando detalhes meus que até eu mesma desconhecia.

Meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos. Hoje, o dia dos pais é um dia normal pra mim. Não sem dor, mas porque tenho pessoas que sabem fazer papel de pai na minha vida. Pois, bem… Lucas Mourão não sabe ser meu pai, mas veio passar o dia dos pais comigo, rs. Com isso, fez meu dia começar engraçado, conversamos sobre tudo… Menos sobre maconha, “CALC”, política e flamengo, ufa! Na vida dele não é nesta ordem, mas podem acreditar, ele ainda tem assunto quando os assuntos não são esses.

Ali aconteceria a sua segunda convulsão (a primeira o GRAÇOLA não contou). Não vou dizer os detalhes da crise, porque foi tenso. Imagina um homo sapiens, com um nariz desse tamanho, tendo uma crise convulsiva bem na sua frente… É TRISTE, mano! Rs. E ainda estou querendo descansar de uma maratona feita em março. Depois de um domingo inteiro no hospital com o Lucas voltei pra casa, inquieta. Não achei nada normal – e nem venha me dizer que descobrir que se sofre de epilepsia aos 22 anos é normal! Procurei médico de uma ponta a outra aqui em Niterói, em hospitais públicos, porque o plano de saúde não existia ainda. Depois de “brigar” em quase todos, resolvi procurar um particular. Eis aqui a beleza de ser comunidade: saber que em qualquer situação da sua vida, você não está sozinho. Obrigada, Deus! Valeu, Trindade Santa! Valeu, Nado! Todo apoio mútuo foi compartilhado! Tá. Quase sem esperança e partindo sem direção, hahaha, encontrei o doutor Edmar (é, Deus mandou o doutor Edmar). Eu disse assim pr’o Lucas: “Oi, você tem uma consulta marcada pra agora. Vem!”.  Não vou falar o preço, não. Só o tempo que ficamos no consultório: quarenta minutos. Vocês acham que foi muito tempo? Acreditem… Quarenta minutos não é tempo nenhum. Não é nada!

Eu, mongol, cheia de perguntas e louca por medicina, disse que não concordava com o fato de ser diagnosticada uma epilepsia. Pra mim?! Ah, pra mim era um verme. Era cisticercose em grau grave, era um tumor, era tudo, menos epilepsia. Preocupado com a situação financeira, o médico teve receio de passar a ressonância magnética. Lembrei da comunidade e disse: “Pode passar”. Mourãozito a fez! Foi constatado um tumor. Já me perguntaram se eu me senti culpada. Ei, eu não achei um tumor não, Joe. Ele estava lá há um tempão e louvado seja Deus por hoje já não estar mais! Queria que o doutor Edmar pudesse ler e saber o quão gratos somos por tudo. Ele indicou um neurocirurgião amigo dele. Élio, O sagaz! rs

Em todas as consultas que fui, em cada gesto de cada pessoa, em cada palavra amiga, vi e experimentei um milagre. Em cada passo que o médico deu, em cada iniciativa que a equipe tomou, eu vi Deus. Na verdade, eu vejo Deus na vida do Lucas desde quando ele tinha nove anos, vendia picolé e não sabia devolver o troco. Vejo Deus na vida do Lucas desde quando ele entrou pr’o teatro da igreja, orava pela família dele e escrevia nos pedidos de oração da intercessão, toda segunda-feira!  Vejo Deus na vida do Lucas desde quando ele passava por momentos ruins em casa e trabalhava na print color – com uma camisa “laranja cheguei”… Desde os nossos 15 e 17 anos, mas nos últimos meses eu experimentei a graça, a presença de um Deus sem igual, grandioso, que ama sem qualquer tipo de restrição, que cuida e se faz presente. Dia 18 de março foi a cirurgia. E essa parte ele já contou, né?

O olhar de Deus não deixou de estar atento à vida desse menino-homem em nenhum momento. E como acontece com todo intercessor em intercessão, a graça passou por mim. Acho que fiz coisas que eu nem sabia que podia fazer. Quero que Deus aumente a minha fé, aprendi que a ela tem o poder de curar. Faz você entrar numa sala gelaaaada na hora da cirurgia e acreditar que vai acordar, que vai viver! A fé não deixa você desacreditar na vida. A fé não deixa você descuidar de si mesmo. A fé muda sua visão, faz você pensar no que perdeu, e te induz a recuperar tudo, TUDO!

Zaqueu subiu numa árvore para ver Deus. Eu entrei num consultório médico. Zaqueu subiu numa árvore para ver Deus… Eu vi nove convulsões. Zaqueu subiu numa árvore para ver Deus. Eu esperei quatro horas de cirurgia. Zaqueu subiu numa árvore para ver Deus. Eu vi uma mãe chorar de desespero por ver o filho sentir medo e dor, mas depois sorrir ao ver o filho comer, e vi Deus. Comer: isso que você faz todos os dias, sem saber quando não vai poder mais fazer, sabe? Eu acredito em milagres, mas acredito que Deus os opera principalmente nas pequenas coisas, nos dias normais. Deus é simples.

No total foram dezessete crises convulsivas, dois dias no cti, duas internações e vários dias no hospital. Incontáveis tomografias, “X” caixas de remédio e UMA certeza: Deus pode tudo. Ah, caso eu não tenha dito, o Lucas acordou depois de fazer uma cirurgia no lobo frontal, retirar um tumor e ter nove convulsões feias. Ele não entrou em coma- caso eu também não tenha citado isso. Sobreviveu depois das dezessete crises. Vou ser médica e já digo que independentemente da minha área, meus pacientes saberão que nada poderei fazer se eles não tiverem fé. ‘Sozinha’ não vou curar ninguém. Você não saiu daquele hospital só pela medicina, Luquitchas. Não foram apenas as mãos dos médicos, nem os remédios. Bom vê-lo em casa,estudando, assistindo aos jogos do mengão, discutindo sobre a legalização da maconha e escrevendo sobre homofobia… Acreditando nos seus conceitos, sendo sincero, repudiando qualquer tipo de preconceito. Viva uns 200 anos, por favor! E como diz meu amigo Leonardo Boff: “o navio está seguro no porto, mas não foi para isso que foi construído, senão para ir ao mar alto e enfrentar as ondas. Isso vale para a vida”. Continue enfrentando as ondas. Não perca a sua força, nem a fé! Admiro muito você, “digdin”. Mil beijos,

Camilla ( millú =P)

Nado e Léo, amo vocês! Nenhum texto vai conseguir agradecer a amizade e o amor que vocês deram. Vocês valem ouro! Deram, dão e sei que sempre irão dar sentido pra minha vida.

Todo mundo da comunidade que orava e ligava sempre… Vocês são LINDOS! Vocês são demais.

Um beijo enorme para todas as pessoas queridas – embora eu não as conheça, rs, mas que falaram comigo pelo telefone do hospital e no celular querendo notícias. Todas as pessoas da UERJ e do escritório que sempre ligavam mostrando preocupação e carinho. Vocês iluminavam o dia da mãe do Lucas. Amizade também cura. E os gestos valem mais do que qualquer outra coisa, do que qualquer palavra, gestos valem muito! Uma vez eu li que ‘sozinhos, a sensação interna sobre o que está sendo vivido é quase melancólica, mesmo que não seja. Juntos, até o que não parece alegre, fica’. E é verdade!

Agora chega, porque eu já estou achando que esta página é minha, né!

 

 

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Cristãos, por que o medo do PL122?

Desde o mês passado a “discussão” ficou mais forte nas redes sociais, ruas, escolas, igrejas e etc. sobre o projeto de lei que torna crime a homofobia, que é a discriminação contra homoafetivos.

Como cristão-católico que sou, o que mais me assusta (e assusta mesmo!) é o repúdio exacerbado, exagerado mesmo dos cristãos em geral, uma demonização, salvo alguns poucos, contra esse projeto de lei.

A maioria absoluta sequer leu o projeto. O argumento que mais ouço é que “querem calar a palavra de Deus”. Mas, por favor, se alguém tiver algum argumento que fundamente essa frase aí, me fala e discutiremos racionalmente. Com toda humildade do mundo, juro.

Essa noite, no twitter, o amado padre Roger Luis, que há muito tempo não vejo, retuitou uma mensagem do pastor Silas Malafaia. O texto é: “Amanha uma Comissão ja começa a votar em caráter de urgência o PL 122. Vamos enviar mtos emails repudiando a aprovação p/ os senadores.”

Nisso, eu respondi ao padre questionando o motivo do repúdio. Enfim, tá no meu twitter (@lucasmourao_) e no do padre também. Só falei disso pra entenderem o motivo do texto, desse questionamento e aparente medo dos cristãos a esse projeto.

Vamos aos fatos:

O projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero – equiparando esta situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa. Na prática vai ser tão crime como o racismo, por exemplo.

O projeto já foi aprovado na Câmara e está no Senado, onde setores conservadores do Senado e da sociedade tentam obstruir que a parada vá pra frente. Faço de novo a pergunta: POR QUÊ?

Os medos “cristãos” são:

1)      Homossexualidade é pecado.

2)      Vão nos prender quando não deixarmos que eles casem na igreja de véu e grinalda (hauahuahuahu).

3)      Vai ser crime dizer que a prática homossexual é pecado, isso seria rasgar uma página da Bíblia.

4)       Essa lei é imoral.

As respostas (lembrem-se de que sou cristão e católico):

1)      Sim, pela fé cristã é pecado. Isso a lei não pode mudar. E nem quer.

2)      Foi o argumento mais bizarro que eu tive o desprazer de ouvir. As religiões são livres e tem costumes (que também servem como regras sociais) seculares, milenares (no caso de algumas religiões). Obrigar que um padre celebre um matrimônio gay é material e formalmente impossível, além de ferir a Lei Maior (CF88) ao passo que feriria a liberdade religiosa. Do mesmo jeito que uma igreja evangélica não batiza um bebê.

3)      Mesma coisa. O direito fundamental à liberdade religiosa prevalece.

4)      Me poupe, né?!

Aí você, meu caro telispéqui, se e me pergunta: “pra que essa bendita Lei, pra que serviria?”
Vamo lá:

19,1 milhões de brasileiros são gays e continuam a sofrer discriminação (assassinatos, violência física, agressão verbal, discriminação na seleção para emprego e no próprio local de trabalho, escola, entre outras), e os agressores continuam impunes;

Por estarmos todos nós, seres humanos, inseridos numa dinâmica social em que existem laços afetivos, de parentesco, profissionais etc., essa discriminação extrapola suas vítimas diretas, agredindo também seus familiares, entes queridos, colegas de trabalho e, no limite, a sociedade como um todo;

O projeto está em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário: “Artigo 7°: Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação”

Não é a primeira vez, irmãozinhos, que a Bíblia e o cristianismo são invocados como fundamento discriminatório. Acredito, inclusive, que a maioria esmagadora dos cristãos que é contra a repressão à homofobia, o faz de boa-fé, com a convicção veemente de que estão certos. Mas é muitíssimo importante que percebamos que não se quer “despecalizar” a homossexualidade, porque isso é atributo de cada religião, o que se quer é fazer com que seja proibida e criminalizada a discriminação dos gays, a homofobia. E eu, como cristão-católico, não vejo nada mais condizente com minha fé do que isso: repúdio à discriminação. Maaas, convido todos à discussão aberta, sem máscaras e pré-conceitos. “A convicção é mais inimiga da verdade do que a mentira.”

Eu disse que não é a primeira vez que a Palavra de Deus é invocada pra legitimar covardias por causa da História mundial escravocrata. Sim! A escravidão era fundamentada por cristãos através da Bíblia! “Se comprares um servo hebreu; seis anos servirá, mas ao sétimo sairá forro, de graça” Êxodo 21:2

Um dia, a Monarquia absolutista, a escravidão, a fogueira e muitas outras coisas que envergonham a História da humanidade, teve o apoio da convicta Igreja, que garantia que todos esses episódios eram razoáveis.

Precisamos ser humildes e saber que, embora a prática da homossexualidade seja pecado, isso não justifica a legitimação da discriminação contra esses nossos irmãos. Deus ama os homossexuais e não quer que eles sofram discriminação, nem violência, nem nada do tipo por sua orientação sexual. E sabe o que o Projeto de Lei quer evitar? Exatamente isso.

Leiam aqui o Projeto de Lei 122. Sou católico e apóio a PLC 122.

ps: meu consolo é que o Frei Betto tá do meu lado: http://twitter.com/#!/freibetto/status/68776454242058240 HAHAHAHA.

Até mais,

LucasM.

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Texto longo e chato. Um informativo.

Como eu tinha falado, eu operei mesmo no dia 18 de março, pra tirar um tumor cerebral:

A internação tava marcada pras 8h da manhã. Meus pais e eu chegamos na clínica às 6h e ficamos do lado de fora até ela ser aberta às 7h. Já começamos bem, hahahaha.

Depois de entrarmos nos foi dada um pouco de atenção pelos funcionários e enfermeiros. Lá pelas 10h me levaram pro quarto, já estávamos todos: eu, meu pai, minha mãe e os anjos da guarda Camilla e Reginaldo

Aí que começa a parte que pode fazer com que alguns continuem a leitura desse informativo chato e bagunçado: depois de um bom tempo esperando no quarto, chegaram duas mulheres (uma delas muito bonita, por sinal), eram as anestesistas. Nos explicaram como seria a anestesia e me tranqüilizaram quanto ao risco da cirurgia. Quem as ouvisse falar poderia crer que a minha cirurgia era como cortar uma unha. Coisa simples.

Depois disso elas disseram pra eu vestir uma camisola escrota de feia, onde eu ficava com a bunda aparecendo. Malandro que sou, não tirei a cueca; deixei pra que a anestesista bonitona tirasse quando eu estivesse consciente. E me deram um calmante boladão. Eu deitei, fiquei grogue e esperei o maqueiro (é esse o nome?).

Vieram dois caras e me puseram na maca, enquanto minha mãe segurava pra não chorar e meu pai estampava um sorriso na cara, demonstrando confiança. Millú e Nado sempre preocupados em me deixar seguro, se despediram dizendo palavras de conforto.

Minha mãe, linda como sempre, me acompanhou até a porta do centro cirúrgico. Quando não pôde mais acompanhar fez um coraçãozinho com as mãos e sussurrou: ‘eu te amo, filho’. Eu tava meio dopado e mal consegui balbuciar que também a amava.

Me puseram na mesa de cirurgia, ou seja lá como aquilo se chama, e aquelas mesmas anestesistas estavam lá. E me aplicaram uma injeção com uma parada que queimava muito e rapidamente me deixava relaxado, tipo como beber vodka. Eu falei essa constatação meio idiota pra elas. Elas riram e eu não lembro mais de nada nesse meio tempo.

4 horas depois acabou a cirurgia. Um sucesso. Um tempo depois (não sei o quanto) eu acordei, sonolento e as pessoas estavam lá como estavam antes, como sempre estiveram. Eu com a cabeça enfaixada, pelado e dormindo toda hora. Mesmo assim, toda vez que eu acordava eu achava que eu já podia levantar e ir jogar um futvôlei na praia de santa clara (hahahaha), a sensação era essa mesmo.

Na mesma noite, ou nao noite seguinte, não lembro, eu tive 9 convulsões não-generalizadas. Todas conscientes. Meu rosto e minhas costas tinham os músculos contraídos involuntariamente, ao máximo. Eu emitia um som estranho e não conseguia falar. Durante toda a madrugada foi assim. O sofrimento da minha mãe era/é muito pior do que eu passar pelas convulsões. A cada intervalo de crise que eu tinha, eu tentava convencê-la de que tava tudo bem, que era normal. Mas não era.

Os médicos aumentaram a dose dos remédios e eu parei de ter as crises. Ótimo. Todo mundo com aquela sensação de “agora vai!”. E foi. Uma semana depois, mais ou menos, eu tive alta hospitalar. Fui feliz pra casa (mas antes dormi um dia na casa da Millú. Minha mãe e eu. Só pra dar mais um cadim de trabalho pra ela, uahuaha) e tudo estava ótimo.

Fiquei uma semana muito bem em casa. Recebendo muitas visitas, clima de festa. Muito bom.

Uma noite, depois de uma visita, eu tava sentado na sala e (a partir daqui vou falar coisas que só lembrei há alguns dias, ninguém sabe) eu comecei a me sentir sonolento, meio tonto, sei lá. Minha boca começou a tremer e eu tinha certeza que teria uma crise. Como eu não conseguia pedir ajuda, eu corri pra cama que tava mais perto de mim, me deitei e segurei forte na cabeceira. Começou a crise e eu tava consciente. Eu pensava: “tá tudo bem, já vai passar”.

Não foi tão rápido assim. Eu perdi a consciencia e caí de rosto no chão, abri o supercílio e formou-se uma poça de sangue. Minha mãe me encontrou me debatendo de cara numa poça de sangue bem grande.Gritou pelo Well, que mora comigo, e ele veio tentar socorrer. Ligaram pro Samu, Bombeiros… rsrsrs.

Quando eu voltei à consciência, eu estava sentado no corredor de casa, com a camisa encharcada de sangue, o rosto também. Quando eu vi que era só  o supercílio e não a cirurgia, fiquei mais calmo. Eu não lembrava de quase nada nem conseguia falar nada. Nada mesmo. Vi uns bombeiros dentro de casa que me levaram pra tomar ponto.

Voltei pra casa depois de tomar os pontos. Umas duas horas depois, outra crise. Mesma intensidade. Minha mãe não parava de ligar pro médico, pra Millu e pro Nado. O Léo também veio em minha ajuda e solidariedade. Tive várias crises durante a madrugada. Meus anjos só conseguiram chegar de manhã e só de manhã o médico conseguiu ser contactado.

Me levaram no colo até o taxi (e descobriram que eu sou pesado, hahahau). O Taxista foi voando pro Santa Martha. Na maca da emergência eu tive outra(s) crise(s), vomitei, não conseguia falar algumas vezes. Me levaram pra fazer tomografia e eu tive outra crise.

Depois de ter visto que eu não tinha nenhuma lesão cerebral, o médico ficou mais tranquilo e resolveu aumentar a dose do medicamento e me internar no CTI pra observação.

O CTI é humilhante. Pessoas do meu lado tomando banho de leito, pessoas que não recebiam visitas nunca. Eu tomando banho de leito, com enfermeiras que eu nunca tinha visto na vida, eu tinha que fazer xixi (mijar, para os íntimos) num pote esquisito. Teve uma hora que eu não conseguia mijar no tal pote. A médica falou: “ah, faz na cama mesmo que a gente troca”. Eu fiz, fiquei todo encharcado. Fora que eu fiquei o tempo todo com uma espécie de frauda, só  Deus sabe pra que aquele merda servia. Eu fiquei cheio de aparelho pelo corpo, me monitorando. Uns três dias depois eu tive alta, fui pro quarto. no quarto eu fiquei mais uns 4 dias e vim pra casa. Tô até hoje. Muito bem, inclusive, já com alta médica (e não só hospitalar). Só não posso ficar andando sozinho por aí, rs. Mas, já já vou poder.

Minha mãe só foi embora ontem, largou o emprego pra ficar comigo

Um grande amigo me disse: “Mourão, Deus sabe tudo?” Daí eu logo pensei: claro, né. Ele respondeu: “Deus não sabe tudo. Deus não sabe ser infiel.”

Devo postar um texto de Camilla Millu aqui, com a visão dos pequenos milagres que tem acontecido nesse trajeto. Mas, agora, é preciso que tenha um informativo pra que as pessoas saibam o que aconteceu à olho nu.

Hoje eu sou grato a Deus e a todos que me ajudaram. Seja com telefonemas, visitas, orações, torcida, macumba e tudo mais. Agradecimento especial pra Camilla Millú, Reginaldo, Léozinho cachorrão, toda comunidade Trindade Santa e, claro, pra minha família. Ah, até pra comu Oficial do Fla eu devo agradecimento. hahaha.

Agradeço a Deus até por ter passado por isso tudo. Sempre se aprende. O que não me mata, me fortalece.

Eu não vou ter o trabalho de revisar esse cocô de texto mal escrito, incompleto e muito chato de ler. Então ignorem os erros de português que, muito provavelmente, estejam infestando esse informativo. Ou então não ignorem e me zoem. Tanto faz.

Obrigado Deus.

Lucas Mourão.

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Até logo!

Oi, gente!

Antes eu tinha pensado em contar tudo que aconteceu, desde o início. Decidi que vou fazer isso. Mas não agora. Aqui, agora, vai ser um resumão do que acontece/aconteceu e das espectativas, feito um tanto quanto porcamente.

Há algum tempo eu descobri um tumor cerebral. Apesar da cara de susto do médico, da minha mãe e da Millú e de todas as pessoas pra quem eu contava, recebi bem a notícia. Principalmente depois que o médico me explicou tudo como de fato é, o grau de gravidade e como eu deveria agir dali em diante.

O caminho indicado pelos médicos foi uma cirurgia. Uma biópsia. Ao que tudo indicava (e ainda indica) o tumor é “benigno” e eu tô com ele há um bom tempo. Ele é grande (1,9 x 1,8cm).

Fiz uma série de exames (muitos!) pré-operatórios. Descobri que tenho um pouco de claustrofobia quando fiz ressonância por três vezes, é muito ruim! hahuahaua

Fim dos exames. E a cirurgia é amanhã, 18 de março, em plena sexta-feira (vou perder o fim de semana, trágico!).

Às sete da manhã eu me interno na Casa de Saúde Santa Martha, Santa Rosa, Niterói. Às 9h começa o procedimento de anestesia e, enfim, às 10h, começa a cirurgia, que deve durar cerca de 3 horas. O procedimento será o da neuronavegação; é meio que um GPS cerebral, não sei explicar direito.

Depois disso, vou ficar no CTI por uns poucos dias, depois quarto ou casa, dependendo da evolução.

Não sei sobre como vai funcionar visita, até porque vou ficar no CTI, mas quem quiser notícias é só ligar pra minha mãe. Ela vai estar com o celular dela e o meu também.

Resumo feito.

Então é isso: vou fazer essa coisa de biópsia, ficar careca (não necessariamente nessa ordem), ficar uns dias em casa assistindo Two and a half man e, logo logo, eu volto pra cá, pra alegria (ou não) de vocês.

Obrigado Millú, Mãe, Pai, Dr. Edmar e Dr. Élio. Estes em especial.

Por fim, aos crédulos, peço orações. Aos incrédulos, torcida.

“Porque Ele vive, eu posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há.”

Obrigado, mesmo, por todas as demonstrações de preocupação que muitos fizeram e fazem questão de externar.

“Cause every little thing gonna be all right.”

Até logo,

LucasM.

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